‘Quase Memória’: livro do jornalista Carlos Heitor Cony

Livro explora o território entre a ficção e a memória a partir das reminiscências do autor sobre o pai morto

Livro explora o território situado entre a memória e a ficção a partir de um punhado de recordações do narrador-autor

O escritor e jornalista Carlos Heitor Cony morreu em janeiro de 2018, aos 91 anos, vítima de falência múltipla de órgãos. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele nasceu no Rio de Janeiro em 1926 e sua estreia na literatura brasileira se deu com os romances “A Verdade de Cada Dia” e “Tijolo de Segurança”, lançados, respectivamente, em 1957 e 1958.  Ambas obras foram premiadas pelo Prêmio Manuel Antônio de Almeida.

Cronista ácido, Carlos Heitor Cony era conhecido por seu humor peculiar e ironia. Nas suas obras, ele tratava de temas políticos e seu texto tinha como foco as relações humanas. Em “Quase Memória”, que foi lançado em 1995, o escritor explorou as lembranças de seu pai, jornalista como ele.

O quase-romance do Cony transporta o leitor para um outro mundo, “um mundo que acabou”, nas palavras de seu autor. O mundo de seu pai, mas de um tempo perdido; do Rio capital federal, do compadrio despudorado, não da violência. Do dia a dia indulgente. Na elegia ao pai que é “Quase Memória”, o protagonista Ernesto Cony Filho é o corpo e o espírito da época.

Sonha alto, dorme prometendo grandes feitos “amanhã”. E o que faz é atolar-se nos próprios sonhos, desfazer-se deles, criar outros e outros. É uma figura quixotesca, patética, no relato quase cruel do filho, mas por isso mesmo fascinante

Filme

Em 2018, o livro ganhou adaptação cinematográfica pelas mãos do diretor Ruy Guerra. Em “Quase Memória”, Carlos (Charles Fricks) é um jornalista que, em um dia qualquer, recebe um pacote diferente. Através da letra e do embrulho, ele logo nota que o remetente é seu próprio pai, Ernesto (João Miguel), que morreu há alguns anos. Espantado, Carlos fica em dúvida se deve ou não abrir o pacote. Enquanto isso, relembra divertidas memórias que teve ao lado do pai.

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